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Literatura brasileira · Eventos · Mercado editorial · · 5 min de leitura

Finalistas do Prêmio Jabuti 2026 em Conto: conheça os autores e obras na disputa

Finalistas do Prêmio Jabuti 2026 em Conto: Marcos Vinicius de Paula, Abáz, Evandro Luiz da Conceição, Andréa del Fuego e João Anzanello Carrascoza.

A categoria Conto do Prêmio Jabuti 2026 reúne cinco coletâneas que exploram diferentes caminhos da narrativa curta contemporânea brasileira. Entre os finalistas estão nomes já consagrados e autores que vêm construindo trajetórias consistentes no gênero.

Machado de Assis, Clarice Lispector, Rubem Fonseca e Lygia Fagundes Telles fizeram do conto um dos gêneros mais fortes da literatura brasileira. Nesta edição do Jabuti, a seleção reúne diferentes estilos: do estranhamento ao realismo, da condensação à observação cotidiana, da memória familiar à tensão urbana.

Os finalistas são Marcos Vinicius de Paula, Abáz, Evandro Luiz da Conceição, Andréa del Fuego e João Anzanello Carrascoza. Os vencedores serão anunciados em 27 de outubro, durante a cerimônia da 68ª edição do prêmio, na Sala São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.

Conheça as obras e os autores que disputam a categoria.

Marcos Vinicius de Paula — Corpo estranho: ferida fechada com a lâmina dentro

Autor de Corpo estranho: ferida fechada com a lâmina dentro (Viseu), Marcos Vinicius de Paula apresenta uma coletânea marcada por narrativas densas e perturbadoras. O livro trabalha corpos, feridas e situações-limite com uma escrita precisa e desconfortável.

Os contos exploram o que existe de estranho e inquietante nas relações humanas e na própria experiência do corpo. A linguagem é cortante e direta, sem concessões. A obra se destaca por sua capacidade de criar atmosferas densas em poucos parágrafos, deixando o leitor com sensações que permanecem após o fechamento do livro.

Para quem busca narrativas intensas e sem alívio fácil, esta coletânea pode ser uma boa porta de entrada.

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Abáz — Massaranduba

Em Massaranduba (Senac Rio), Abáz reúne contos que dialogam com a cidade, a marginalidade e as relações cotidianas. A obra carrega uma escrita enxuta e observadora, marcada pela presença do espaço urbano como personagem.

Os textos capturam cenas e situações que muitas vezes passam despercebidas no dia a dia, mas que revelam tensões sociais, afetivas e existenciais. A linguagem é direta, sem excessos, e o olhar do autor parece privilegiar o que está à margem ou em deslocamento.

A coletânea pode interessar especialmente a leitores que gostam de narrativas urbanas e de uma prosa mais seca e objetiva.

Capa de Massaranduba, de Abáz

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Evandro Luiz da Conceição — Minha estranha loucura

Autor de Minha estranha loucura (Todavia), Evandro Luiz da Conceição traz contos que exploram deslocamentos, memórias e experiências marcadas por tensão e estranhamento. A coletânea reforça a presença de vozes contemporâneas da literatura negra brasileira.

Os textos transitam entre o íntimo e o coletivo, entre o pessoal e o social. Há uma busca por linguagem que dê conta de experiências complexas, muitas vezes atravessadas por racismo, memória e identidade. A escrita equilibra densidade emocional e precisão formal.

Para quem deseja conhecer autores que trabalham a narrativa curta a partir de perspectivas contemporâneas e racializadas, este livro se apresenta como uma leitura relevante.

Capa de Minha estranha loucura, de Evandro Luiz da Conceição

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Andréa del Fuego — Nego tudo: ficções súbitas

Andréa del Fuego, autora de romances como Os malaquias e Amitrá, chega à final de Conto com Nego tudo: ficções súbitas (Companhia das Letras). O livro reúne narrativas curtas e intensas, em que a autora experimenta formas condensadas e interrupções abruptas.

A coletânea se destaca pela experimentação formal. Os textos são súbitos, muitas vezes interrompidos, e trabalham a ideia de recusa e de resistência a explicações fáceis. A linguagem é ágil e precisa, com forte presença de voz e ritmo.

Leitores que já conhecem a autora pelo romance encontrarão aqui uma faceta diferente de sua escrita: mais condensada, experimental e desafiadora.

Capa de Nego tudo: ficções súbitas, de Andréa del Fuego

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João Anzanello Carrascoza — Tranças de meninas: contos

Um dos nomes mais reconhecidos do conto contemporâneo brasileiro, João Anzanello Carrascoza concorre com Tranças de meninas (Alfaguara). A coletânea continua a exploração delicada e precisa de relações familiares, memória e infância que marca a trajetória do autor.

Carrascoza é conhecido por sua capacidade de transformar situações aparentemente simples em narrativas densas e emocionantes. Seus contos frequentemente partem de cenas cotidianas — uma conversa, um gesto, uma lembrança — e, a partir delas, constroem camadas de sentido e afeto.

Tranças de meninas reforça essa característica. A escrita é elegante, controlada e sensível. Para leitores que apreciam o conto como forma de observação minuciosa da vida e das relações humanas, esta coletânea se apresenta como uma escolha segura e potente.

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Capa de Tranças de meninas, de João Anzanello Carrascoza

O que o conto revela nesta seleção

Olhando para os cinco finalistas, é possível perceber a diversidade de abordagens presentes no conto brasileiro contemporâneo. Há obras mais experimentais, outras mais realistas; algumas centradas no estranhamento, outras na observação do cotidiano; algumas atravessadas por questões sociais e raciais, outras mais voltadas para a intimidade familiar.

Essa variedade mostra a vitalidade do gênero. O conto continua sendo um espaço de experimentação e de precisão. Em poucos parágrafos, é possível criar atmosferas complexas, tensionar relações e deixar marcas duradouras no leitor.

Para quem está começando a se interessar pelo gênero, esta seleção do Jabuti oferece um bom panorama. Cada livro apresenta um caminho diferente e pode funcionar como porta de entrada para outros autores e estilos.

Como escolher por onde começar

Uma das vantagens do conto é a possibilidade de experimentar sem compromisso longo. Você pode escolher um livro, ler dois ou três textos e perceber se a voz do autor ressoa com você.

Algumas perguntas podem ajudar na escolha:

  • Você prefere narrativas mais densas e perturbadoras ou mais delicadas e observadoras?
  • Tem interesse por experimentação formal ou prefere estruturas mais tradicionais?
  • Quer ler autores já consagrados no gênero ou descobrir vozes menos conhecidas?

Antes de comprar, vale:

  • Ler a sinopse ou a orelha do livro
  • Buscar trechos ou amostras autorizadas
  • Conferir entrevistas com os autores
  • Verificar se a editora disponibiliza prévia digital

Como cada conto se sustenta sozinho, dá para provar um pouco de cada livro antes de escolher qual levar até o fim.

Quando conheceremos o vencedor?

O vencedor da categoria Conto do Prêmio Jabuti 2026 será anunciado em 27 de outubro, em cerimônia na Sala São Paulo. A transmissão ao vivo acontece pelo canal da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.

Até lá, a seleção funciona como um convite para explorar diferentes caminhos da narrativa curta brasileira contemporânea. O conto continua sendo um dos gêneros mais vivos e potentes da nossa literatura, e esta lista de finalistas confirma isso.


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