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Literatura brasileira · Eventos · Mercado editorial · · 5 min de leitura

Finalistas do Prêmio Jabuti 2026 em Poesia: conheça os autores e obras na disputa

Finalistas do Prêmio Jabuti 2026 em Poesia: Adélia Prado, Bárbara Mançanares, Adriana Lisboa, Alberto Martins e Nina Rizzi. Conheça as obras.

A categoria Poesia do Prêmio Jabuti 2026 reúne cinco vozes distintas da poesia contemporânea brasileira. Entre os finalistas estão nomes consagrados e autores que vêm consolidando suas trajetórias com obras potentes e singulares.

Os finalistas são Adélia Prado, Bárbara Mançanares, Adriana Lisboa, Alberto Martins e Nina Rizzi. Os vencedores serão anunciados em 27 de outubro, durante a cerimônia da 68ª edição do prêmio, na Sala São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.

Poucos gêneros pedem tanto do leitor em tão pouco espaço: um poema se lê em um minuto e pode ocupar a cabeça por uma semana. Nesta edição do Jabuti, a seleção mostra a diversidade de caminhos possíveis dentro do gênero: do retorno de uma voz já clássica à experimentação formal, da memória histórica à experiência da diáspora.

Adélia Prado — O jardim das oliveiras

Poeta de Divinópolis (MG), Adélia Prado tem uma trajetória que reúne poesia e prosa, com reconhecimento também fora do Brasil. Em 2026, concorre com O jardim das oliveiras (Record), seu primeiro livro de poemas em mais de dez anos.

A obra marca o retorno da autora a um gênero no qual construiu uma das vozes mais reconhecíveis da poesia brasileira. Sua escrita é marcada pela presença do cotidiano, da espiritualidade e de uma linguagem que equilibra simplicidade e profundidade.

Para muitos leitores, Adélia Prado representa uma porta de entrada acessível e potente para a poesia contemporânea. O retorno dela à poesia, depois de um intervalo longo, torna esta obra especialmente relevante nesta edição do prêmio.

Capa de O jardim das oliveiras, de Adélia Prado

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Bárbara Mançanares — A dança áspera das raízes

Autora de A dança áspera das raízes (Praga / TAUP), Bárbara Mançanares apresenta uma poesia que trabalha matéria, terra, água e corpo. O livro reúne poemas escritos entre 2021 e 2024 e se organiza como um percurso contínuo, sem títulos, formando uma experiência de leitura densa e sensorial.

A ausência de títulos e a organização em fluxo reforçam a ideia de continuidade: os poemas se ligam uns aos outros como um território em movimento. A linguagem é física, enraizada, e convida o leitor a uma experiência mais sensorial do que narrativa.

Por ser publicado por uma editora independente de poesia, o livro tem distribuição mais restrita e pode ser encontrado em livrarias especializadas e na Martins Fontes.

Capa de A dança áspera das raízes, de Bárbara Mançanares

Adriana Lisboa — Antes de dar nomes ao mundo

Ficcionista, poeta e tradutora, Adriana Lisboa é autora de romances premiados, como Sinfonia em branco (Prêmio José Saramago). Em 2026, chega à final de Poesia com Antes de dar nomes ao mundo (Relicário), seu quinto livro de poemas.

A obra contempla a passagem do tempo, a transitoriedade da experiência e as relações entre o humano e o não humano. A poesia de Adriana Lisboa costuma ser marcada por uma sensibilidade atenta ao detalhe e por uma linguagem que equilibra precisão e lirismo.

Para leitores que já conhecem a autora pelo romance, esta coletânea oferece a chance de encontrar outra dimensão de sua escrita. Para quem está começando, pode ser uma porta de entrada interessante para uma poesia contemporânea de tom contemplativo.

Capa de Antes de dar nomes ao mundo, de Adriana Lisboa

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Alberto Martins — Boris e Marina

Alberto Martins parte de uma correspondência real entre os poetas Boris Pasternak, Marina Tsvetáieva e Rainer Maria Rilke para criar Boris e Marina (Companhia das Letras). O livro transforma cartas históricas em poemas que recriam vozes, distâncias e a impossibilidade do encontro.

É uma obra que mistura história, invenção e lirismo narrativo. Ao trabalhar com correspondências reais, Martins cria um diálogo entre tempos e geografias, transformando o material documental em matéria poética.

A proposta do livro pode interessar especialmente a leitores que apreciam a intersecção entre poesia, história e biografia — e a quem gosta de obras que partem de documentos para reinventar vozes do passado.

Capa de Boris e Marina, de Alberto Martins

Comprar Boris e Marina

Nina Rizzi — Diáspora não é lar

Escritora, tradutora e professora, Nina Rizzi apresenta em Diáspora não é lar (Pallas) uma poesia atravessada por memória, ancestralidade e deslocamento. O livro trabalha a experiência da diáspora negra e tensiona a ideia de “lar” a partir de vivências marcadas por racismo, ausência e reinvenção.

A obra se destaca por sua densidade temática e por uma linguagem que articula o pessoal e o coletivo. A diáspora aparece não apenas como tema, mas como experiência que atravessa corpo, memória e pertencimento.

Para leitores interessados em poesia que dialoga com questões de identidade, ancestralidade e deslocamento, este livro se apresenta como uma leitura relevante e necessária.

Capa de Diáspora não é lar, de nina rizzi

Comprar Diáspora não é lar

Como começar a ler os finalistas de Poesia?

Uma forma simples de explorar a categoria é ler um poema de cada autor ou autora (quando houver amostras disponíveis) e observar qual voz mais desperta interesse. A poesia permite essa entrada fragmentada: cada texto oferece uma experiência própria e pode abrir caminho para a leitura completa do livro.

Algumas perguntas podem ajudar na escolha:

  • Você prefere uma linguagem mais acessível e cotidiana ou mais experimental?
  • Tem interesse por poesia que dialogue com memória e identidade?
  • Prefere obras mais contemplativas ou mais densas e sensoriais?

Antes de comprar, vale:

  • Ler a sinopse ou a orelha do livro
  • Buscar trechos autorizados
  • Conferir entrevistas com os autores

Ninguém precisa ler os cinco. Às vezes, um único poema lido em voz alta já basta para saber se aquela voz vai ficar com você.

Por que vale a pena conhecer essa seleção?

A lista de finalistas de Poesia em 2026 mostra a vitalidade do gênero no Brasil contemporâneo. Há o retorno de uma voz já clássica, há experimentação formal, há diálogo com a história e há poesia atravessada por questões de identidade e pertencimento.

Essa diversidade reforça que a poesia brasileira continua sendo um espaço de investigação e de potência. Conhecer esses livros é uma forma de acompanhar o que está sendo produzido e reconhecido pela crítica e pelo mercado editorial neste momento.

Quando conheceremos o vencedor?

O vencedor da categoria Poesia do Prêmio Jabuti 2026 será anunciado em 27 de outubro, em cerimônia na Sala São Paulo. A transmissão ao vivo acontece pelo canal da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.

Até lá, a seleção funciona como um convite para descobrir diferentes caminhos da poesia brasileira contemporânea. Seja qual for o resultado, a lista já cumpre um papel: pôr lado a lado uma voz com cinco décadas de obra e livros de editoras independentes que dificilmente chegariam às vitrines.


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